Poltergeists — Ninguém Acredita em Mim


Algo incrível aconteceu com você?
Mas você tem medo de que ninguém acredite...


Poltergeists

Encontros com entidades energéticas barulhentas ou agressivas que criam sons altos, quebram ou movem objetos.

Mistério
Traduzido do inglês
Publicado: 2026-03-24

Alugo uma casa. Velha, de madeira, com pés-direito altos e assoalho que range. A dona alugava barato — na hora achei que tinha dado sorte. Primeiro mês — silêncio. Casa normal. Mas aí reparei que toda noite, quando eu voltava do trabalho, a porta da frente estava entreaberta. Não escancarada, não. Uma fresta de dois dedos. Fechadura intacta, trinco no lugar — e a porta, entreaberta. Todo santo dia. Troquei a fechadura. Não adiantou. Depois começaram os passos. Não de noite — de dia. Nas quartas-feiras trabalho de casa. Eu sentado lá embaixo na mesa, e lá em cima alguém andando. Devagar, pesado, como uma pessoa idosa. De canto a canto. Eu subia — ninguém. Descia — os passos recomeçavam em um ou dois minutos. Como se esperasse eu sair. Instalei três câmeras. Uma no quarto lá de cima, uma na escada, uma na entrada. E foi aí que a coisa ficou realmente estranha. Os passos são AUDÍVEIS nas gravações. A câmera capta o som, o microfone registra as batidas no chão. Mas no vídeo — ninguém. Um cômodo vazio onde alguma coisa anda. Mandei pra algumas pessoas. Todos disseram a mesma coisa: tábuas dilatando com variação de temperatura. Tá bom. Tábuas que dilatam exclusivamente às quartas, quando eu estou em casa. E aí aconteceu uma coisa que me tirou o sono por duas noites seguidas. Eu tenho um diário. De papel, um caderno comum. Deixei aberto na mesa da cozinha, fui ao mercado. Voltei — o caderno estava aberto numa página diferente. Em branco. E no centro dela, a lápis, com letra torta, uma única palavra. "Quarta" O lápis estava do lado do caderno. Lembro com certeza, porque ele fica sempre ali. Tirei foto, mostrei pros amigos — "você mesmo que escreveu e esqueceu", "tá de sacanagem", "alguém entra aí quando você tá no trabalho". Moro sozinho. A dona não tem outra chave — eu troquei a fechadura. Depois disso passei a deixar o caderno aberto de propósito. Todo dia. Duas semanas — nada. Aí, de novo numa quarta, uma anotação nova. Mesma letra. Duas linhas: "não vai embora não gosto quando fica escuro" Comecei a tremer. Não de medo. Porque de repente eu entendi — aquilo não simplesmente "existe". É solitário. Espera pelas quartas porque nas quartas eu fico em casa o dia inteiro. Abre a porta quando eu chego. Anda lá em cima enquanto eu estou embaixo — não pra assustar, só... vive ali junto. Escrevi no caderno: "Quem é você?" Na manhã seguinte, embaixo da minha pergunta: "tô aqui faz tempo" E mais embaixo, menor, como se inseguro: "você é bom os de antes eram ruins" Continuei tentando. Perguntava coisas diferentes. Às vezes apareciam respostas, às vezes não. A letra sempre igual — grande, trêmula, as letras dançando, como se a mão não tivesse costume de escrever. Ou tivesse desaprendido. Muitas vezes perguntei "Quem é você?" Nunca teve resposta pra isso, mas um dia apareceu na página apenas: "não lembro" Já se passaram cinco meses. Continuo morando aqui. Nas quartas trabalho de casa, a porta entreabre quando eu volto, alguém anda lá em cima. A gente se comunica pelo caderno. É o relacionamento mais maluco da minha vida. Semana passada a dona ligou, perguntou como estava a casa. Disse que tudo bem. Ela ficou calada um tempão e depois só se despediu. O caderno já está quase acabando. Ontem comprei um novo. Deixei na mesa, aberto na primeira página. De manhã estava escrito: "obrigado" Ninguém acredita em mim. Mas eu tenho um caderno onde alguém que está aqui faz tempo me escreve.

Mistério
Traduzido do indonésio
Publicado: 2026-02-28

Na Indonésia, histórias sobre espíritos ou “coisas” que vivem nas florestas e nas aldeias são muito comuns. A gente cresce ouvindo isso. Mas, sinceramente, eu sempre achei que fosse só parte da cultura—nada além disso. Até o ano passado. Eu moro numa pequena aldeia não muito longe de Yogyakarta. Tenho uma moto e, às vezes à noite, vou visitar um amigo numa aldeia vizinha. Dá uns 25 minutos de viagem, passando por plantações de arroz e um trecho de floresta antiga. A estrada é estreita e o asfalto é irregular em alguns pontos, mas eu já passei por lá centenas de vezes. Naquela noite, nada parecia estranho. Eram por volta das 9h30, já estava escuro, mas não totalmente—porque a lua estava quase cheia. Eu estava voltando da casa do meu amigo quando, mais ou menos no meio do caminho—justo onde começa a floresta—percebi algo estranho: silêncio demais. É difícil explicar. Normalmente à noite você ainda ouve coisas—insetos, grilos, às vezes cães ao longe. Mas dessa vez parecia que… alguém tinha desligado todos os sons. No começo, não dei muita importância. Mas alguns minutos depois, vi alguém parado no meio da estrada. Isso já era estranho. Ninguém anda por ali à noite. Eu reduzi a velocidade e me aproximei. Era um homem, vestido normalmente—camisa e calça. Ele estava de costas para mim, completamente parado. Parei a uns cinco metros e disse: “Ei, está tudo bem?” Nenhuma resposta. Nenhuma reação. Pensei que talvez ele estivesse bêbado ou passando mal. Desliguei o motor e comecei a caminhar em direção a ele. Foi aí que ficou estranho. A cada passo que eu dava, parecia que a distância não diminuía. Eu dava outro passo—igual. Era como se ele permanecesse no mesmo lugar, mesmo eu avançando. Eu parei. Nesse momento, ele começou a virar a cabeça… bem devagar. Não o corpo—só a cabeça. E o jeito que ele se movia… não era normal. Muito lento, e num ângulo difícil de descrever. Eu não esperei ele virar completamente. De repente senti que precisava ir embora. Não era exatamente medo—era mais um instinto. Eu me virei rápido, liguei a moto e acelerei. Depois de uns 20 ou 30 metros, ouvi passos atrás de mim. No começo baixos, depois mais rápidos. Olhei pelo retrovisor—e vi ele. Ele vinha andando atrás de mim. Não estava correndo. Só andando… mas se aproximando. Eu acelerei o máximo que pude. Aquela estrada não permite muita velocidade, mas mesmo assim tentei. Olhei de novo—ele estava mais perto. E aí percebi algo que até hoje me assusta: as pernas dele não se moviam como deveriam. Era como se… ele estivesse deslizando. Não sei quanto tempo durou—talvez 20 segundos, talvez um minuto. De repente, o som desapareceu. Olhei de novo—ninguém. Não parei até sair da floresta. Só quando cheguei mais perto da aldeia percebi que minhas mãos estavam tremendo. Voltei para casa e não contei a ninguém. Pensei que talvez estivesse cansado, ou que tivesse imaginado tudo. Mas alguns dias depois, notei outra coisa. Na parte de trás da minha moto havia marcas, como impressões de mãos sujas. Não eram minhas—eu sei onde costumo segurar. Essas estavam mais altas… e os dedos pareciam mais longos. Depois perguntei ao meu amigo, com cuidado, se ele já tinha visto alguém naquela estrada à noite. Ele disse que evita passar por lá depois que escurece. Perguntei por quê. Ele só disse: “Melhor não passar por lá à noite.” Desde então, nunca mais usei aquela estrada à noite. Durante o dia, tudo parece normal. Mas toda vez que passo por aquele trecho da floresta, sinto algo estranho… como se alguém estivesse me observando por trás. Eu sei que isso soa como invenção. Não estou tentando convencer ninguém. Só quis contar, porque até hoje não consigo explicar o que vi naquela noite.