Eu tinha uns 15 ou 16 anos. Era uma noite normal, nada de especial. Eu, meu amigo Ethan e a Sarah estávamos na casa dela. Tudo bem padrão: pizza, refrigerante, zoando e tentando achar algo assustador pra assistir antes de dormir.
Uma hora a Sarah falou:
—E se a gente usar um tabuleiro ouija?
Ela disse que encontrou num armário, tipo um bem velho que provavelmente ficou dos donos anteriores ou algo assim. A gente começou a rir, tipo:
—Ah claro, vamos invocar um demônio do TikTok.
Mas a gente tava entediado, então foi tipo: ah, dane-se, vamos tentar.
Apagamos a luz principal, sentamos nós três e colocamos os dedos na planchette. No começo, nada. Tipo, absolutamente nada. Ficamos uns cinco minutos fazendo perguntas idiotas pro nada.
E aí se mexeu.
Não de repente. Bem devagar. Tipo… quase nada. Aquele tipo de movimento que parece que alguém tá empurrando, mas ninguém quer admitir.
Eu falei na hora:
—Tá, quem tá mexendo isso?
O Ethan disse que era eu. A Sarah disse que era o Ethan. Ou seja, todo mundo culpando todo mundo.
A gente decidiu testar. Perguntamos algo simples, tipo:
—Quantas pessoas tem na sala agora?
A planchette parou. Depois começou a se mover de novo. Devagar, com pausas.
3
A gente se olhou e riu, porque aquilo não provava nada.
Aí o Ethan falou:
—Beleza, vamos perguntar algo que ninguém aqui sabe.
A Sarah perguntou:
—Qual era o nome do antigo dono da casa?
Eu não fazia ideia. O Ethan também não.
A planchette começou a se mover de novo. Bem devagar, letra por letra. A gente conseguia acompanhar com os olhos.
M A R I A
E foi aí que ficou… estranho.
A Sarah não falou nada no começo. Só ficou olhando pro tabuleiro. Aí de repente tirou as mãos e ficou pálida. A gente achou que ela tava zoando, fazendo drama. Mas ela parecia realmente assustada.
Eu perguntei:
—Espera… você tá falando sério?
Ela fez que sim com a cabeça.
E sinceramente, foi aí que eu comecei a ficar desconfortável. Não tipo medo de filme de terror, mas aquela sensação estranha quando algo não faz sentido e sua cabeça tenta achar uma explicação normal.
A gente continuou. Sem rir.
Perguntamos:
—Quem é você?
A planchette não se mexeu por uns vinte segundos. Depois começou de novo.
M O R O A Q U I
O Ethan falou na hora:
—Tá, isso é ridículo. Alguém tá zoando.
E sinceramente, fazia sentido. Eu quase tinha certeza que era ele.
Então decidimos parar. Falamos “adeus” e tiramos as mãos.
E aí aconteceu a parte mais estranha da noite.
No segundo em que a gente não tava mais tocando, a planchette deu um pequeno movimento.
Não deslizou nem nada. Só um tremidinho, na direção do “GOODBYE”. Tipo uns milímetros.
Mas nós três vimos.
E ninguém tava tocando.
E isso sim foi assustador.
A gente desligou tudo rápido, acendeu as luzes e guardou o tabuleiro.
No dia seguinte a Sarah mandou mensagem dizendo que verificou: o nome do antigo dono realmente era Maria. E ela jura que nunca contou isso pra gente.
Eu não tô dizendo que foi algo sobrenatural. Talvez alguém tenha mexido sem perceber, ou a Sarah comentou isso em algum momento e a gente esqueceu.
Mas aquele pequeno movimento, quando ninguém tava tocando… isso ficou comigo.
Porque foi… estranho demais.
E sim, ninguém acredita em mim.
Mas eu não fui o único que viu.